"Esta vida: uma existência que ela ama, sob uma crescente nuvem de dívida estudantil" (This Life: An existence she loves, under a growing cloud of student debt)





Este título é o da reportagem¹ publicada no jornal Washington Post de ontem (09/01/2018) que me chamou a atenção e resolvi escrever.

Sucintamente, a reportagem conta a história de uma moça que realizou um empréstimo estudantil no valor aproximado de U$ 60.000,00 para pagar o seu mestrado.

Após concluído o mestrado e depois de pago por algum tempo, a dívida estava na casa dos U$ 69.000,00, ou seja, ao invés de diminuir o débito estava aumentando!

E mais, talvez, o maior drama de todos: ela não gostou da experiência de dar aula.

Como se a situação estivesse fácil, de quebra, ela teve um bebê nesse período.

E o que tudo isso tem haver?

No meu primeiro post aqui no blog, mencionei que recomecei a minha vida aos 30 anos.

Posso dizer que vivenciei alguns pontos da história da reportagem que foi tomar um financiamento estudantil e ter passar anos a fio pagando até quitá-lo aos meus 29 anos e 11 meses de idade...

O que posso dizer é: muita cautela nas suas escolhas. E não só isso, cuidado ao tomar decisões com base nas circuntâncias do momento por achar que é a melhor saída. Posso afirmar que a melhor saída é fazer o que realmente faz você feliz ou buscar fazer aquilo o que seu coração deseja, dentre outras coisas, na escolha da sua profissão.

No meu caso, nunca pensei fazer o curso de Direito e ser advogado. Sempre quis ser médico ou piloto de avião comercial. Nenhum, nem outro. Resultado: fui orientado – para não dizer quase forçado – a fazer o curso de Direito pelas amplas possibilidades profissionais. Conclui o curso, tirei a minha OAB e passei a conviver com uma dívida que parecia não ter fim (mesmo). Foram longos 7 anos e meio pagando, isso porque consegui quitar antes de abril de 2019, pois se não era para continuar pagando.

Além disso, tem a famigerada anuidade da OAB, isto é, como se não bastasse a conclusão do curso com uma dívida sem tamanho, tem que pagar também o conselho de classe para exercer a profissão, sob pena de exercê-la irregularmente e responder uma eventual execução fiscal pelo inadimplemento.

Então, como ser feliz desse jeito? Fazer um curso que não escolheu, terminá-lo com uma dívida que fez para pagar o curso e ainda ter que pagar anualmente o seu órgão representativo?

Tudo isso foi fruto de decisões e “escolhas” da juventude que, na época, não tinha voz (nos dias de hoje a realidade dos jovens é um pouco diferente, mas fica o debate para outro dia). Contudo, não é fácil para um jovem de 15 anos decidir o que ele vai querer fazer o resto da vida. Por isso, pais, busquem identificar as aptidões dos seus filhos e os incentivem a estudar e trabalhar naquilo que os fazem felizes.

Resumo da ópera: posso afirmar que, depois de ter quitado o meu financiamento estudantil, tirei um peso das minhas costas como se tivesse liberado de uma prisão financeira para finalmente buscar fazer aquilo o que desejo aos meus 30 anos.
       

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